Por que viajar?

9 de outubro de 2007 4 Comentários

"O mundo é um livro, e os que não viajam acabam lendo só uma página"
(Santo Agostinho)


Todo viajante precisa de um motivo que justifique fazer as malas e se mudar, ainda que temporariamente, para uma nova "casa".
Alguns saem de férias para um longo passeio em terras diferentes; outros viajam a trabalho para uma daquelas reuniões de negócios cujas discussões giram em torno de altas cifras.
Há aqueles que vão a outras paragens para rever a família e voltar às origens, mas há também os que vão em busca de origens. Nesse grupo, podemos incluir também os que saem de casa para visitar amigos, fazer amigos (e desfazê-los mais tarde).
Há os que vão ao encontro de antigas paixões, e os que vão em busca de uma nova paixão.
Outra categoria de viajante é aquele que deixa a monotonia da cidade para se satisfazer em meio às novidades do mundo consumista do Primeiro Mundo, ainda que esse fique no Terceiro Mundo. O destino e suas atrações históricas e culturais não são relevantes, desde que haja um centro comercial abastecido de novidades e bugigangas inúteis que serão descartadas alguns meses depois do desembarque.
Mas há também os viajantes aprendizes. Aqueles que nas férias escolares saem para...estudar. Consomem livros, compram dicionários, vão a museus e ficam em residências de locais.
Há também os que vão para ver nascer um novo membro da família, mas há aqueles que vão para enterrar um membro da família. Há aqueles que vão para rir, e aqueles que vão para chorar; aqueles que vão consolar, e aqueles que querem ser consolados; há aqueles que vão, e aqueles que chegam; há os que decolam, e os que aterrizam; os que entram e os que saem.
Há também os que vão para ensinar enquanto os outros estão para aprender; há os que vão para falar, e os que vão para ouvir. Tem gente que não vai nem para falar, nem para ouvir: vai para sentir.
Há os que vão muito antes e só conseguem chegar muito tempo depois.
Somos uma soma, e uma multiplicação, de todos esses viajantes. Mas a nossa maior justificativa para deixar nossas casas é o desejo de deixá-las para encontrá-las, 12 meses depois, no mesmo lugar, porém com a alma modificada.

Edu

4 comentários:

Anônimo disse...

Há os que viajam para realizar grandes projetos.!
Quando voltar, o lugar não será o mesmo, terão passados 12 meses, e em 12 meses nada é o mesmo, nem mesmo o lugar. O observador terá sofrido um transformação fisica, mental e espiriual. Se o observador girou 365 dias no sitema solar, o lugar também girou.
Bjs
Edson Lima

Anônimo disse...

Na verdade, mudamos a cada dia. Todos os dias somos melhores que ontem e é isso que nos move.
Valeu a força de sempre, Edson
Araços,
Edu

Anônimo disse...

"Há os que vão muito antes e só conseguem chegar muito tempo depois" - Para mim, toda viagem é um pouco disso - você começa a viagem quando ela ainda é um plano...você sonha, imagina e até vive o lugar antes mesmo de ir...e quando voltamos, as vezes, levamos muito tempo para absorver tudo aquilo que vivemos, seja pelo o que ficou para tras, por quem ficou para tras ou por aquilo que ainda virá. Viajar é sentir..é refletir, é redescobrir a si mesmo por meio do outro. Viajar é olhar....é conhecer, é rir, é amar, é viver...tudo em único OLHAR! O sentir fica por conta da combinação dos olhares que geralmente ganham sentido no caminho de volta, naquele momento em que arrumamos tudo, nos despedimos e respiramos aliviados por estar indo de volta para casa com muitos olhares na bagagem.

"Pode ter certeza que eu sou presença garantida na despedida, torcida constante e saudosa na distância e braços abertos na chegada".......Bjs

Nós disse...

Chris,
quando leio comentários tão viscerais como os seus, aumenta a certeza de que lá é o meu lugar. E melhor do que ir, será regressar e, renovado, receber seus "abraços abertos na chegada"
Beijos,
Edu

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